A Marca Google

O Google, que há apenas 13 anos se chamava Backrub, fincou sua bandeira no mercado de buscas e não há nada no horizonte que ameace essa posição. Números variados apontam sua liderança frente a todos os serviços de busca disponíveis, na casa dos 95% de todo o mercado.

De forma impressionante o Google conseguiu, em pouco tempo e com baixíssimo investimento em publicidade, o que gigantes do capitalismo levaram décadas para construir. Seu nome hoje é sinônimo de buscas na internet. Google não significa mais nada, ao menos para a grande maioria da população. Até mesmo a origem, o significado de “Google”, bem anterior à fundação da empresa, perdeu seu sentido original.

O Google conseguiu em pouco tempo algo bem maior que faturamento e crescimento empresarial: Conseguiu seu posicionamento (além do posto de marca mais valiosa do mundo). Assim como não se utiliza palha de aço para panelas (usamos Bombril) não se utilizam buscadores, utilizamos o Google.

O posicionamento de uma marca está intimamente ligado à uma atividade principal a qual ela referencia e não se pode sustentar uma grande variedade de atividades sob essa bandeira. É como a luz de uma lanterna: Se aproximá-la da parede consegue muita luz, focada em um pequeno espaço; Se afastá-la, aumenta a abrangência, porém com menor intensidade.

O Orkut e o Youtube são excelentes amostras de como o Google conseguiu crescer corporativamente, aumentando suas receitas, investindo em novas marcas e produtos, mas conservando “Google” como sinônimo de buscas.

Várias notícias apontam para a entrada do Google em novos mercados. A mais recente é o lançamento de um smartphone.

O que resta saber é até quando irá durar sua hegemonia no mercado de buscas e como a empresa irá utilizar a força de sua marca em novas aventuras corporativas.

Verdadeiras Necessidades

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Ontem participei de um interessante debate que se iniciou sobre alguns “pudores” no marketing, como indução, manipulação de desejos, etc., e acabou nos desejos e necessidades dos consumidores.

Pessoalmente gosto muito da teria de Maslow, e sua pirâmide hierarquizada de necessidades, onde presupõe-se que uma categoria de necessidades só se manifeste após a satisfação de outra.

Sempre que falamos de marketing e motivações de compra chegamos ao ponto das necessidades. Mas o que realmente são necessidades?
Se imaginarmos realmente o que um indivíduo necessita pra sua vida nos limitaríamos a alguns metros quadrados pra dormir protegido das variações climáticas, certa quantidade de comida, algumas roupas, atendimento médico e medicamentos quando necessários, água, etc.

Longe de mim em alguns minutos contradizer a teoria de Maslow, amplamente discutida e utilizada como base teórica em todo o mundo, mas gosto de partir do princípio de “necessidades” citado por outras fontes.

Freud disse que “…tudo em você e em mim emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser grande”.

William James disse: “O mais profundo princípio da natureza humana é a ânsia de ser apreciado”.

Nas duas definições temos uma coisa em comum: Todos os desejos do ser humano estão baseados na necessidade de aprovação e apreciação por parte dos demais membros da sociedade em que vive.

O capitalismo é baseado nisso, na permissão de que esses desejos sejam satisfeitos. Literalmente o céu é o limite, já que a satisfação dessa necessidade está diretamente relacionada ao ambiente em que o indivíduo vive. Os parâmetros são retirados da própria sociedade, que define o que é necessário para alcançar a tal “apreciação” dos demais.

O marketing é sim manipulador de comportamentos, e não vejo nada de errado nisso (se bem que “gostar de dinheiro”, como diversas outras palavras e expressões, também não são vistos com bons olhos em nosso país). Procure pelo significado dessa palavra no dicionário.

A ética, outro parâmetro bem relativo, é que vai definir como essa ferramenta será utilizada, mas o fato é que o ser humano, seja através de minha empresa ou a do concorrente, buscará atender a esses desejos, extremamente intrínsecos e primários, quer seja de maneira consciente ou inconsciente.

No final das contas muitos dos produtos ou serviços que adquirimos não nos valem pela utilidade prática que terão, mas pelo quanto acrescentarão à nossa imagem junto à comunidade em que vivemos.

Por quê sua empresa realmente existe?

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Qual a finalidade de uma empresa? No conceito acadêmico, empresa se define por qualquer organização com objetivo de obtenção de lucro.

Há alguns anos atrás, uns bons 20 anos, essa finalidade poderia direcionar todas as práticas de uma empresa, sem que comprometesse sua imagem junto ao consumidor. Aliás, sua imagem até poderia ser comprometida, mas numa análise relativa, isso era até normal. A abertura do mercado e amadurecimento do consumidor mudaram essa relação, embora muitas empresas ainda não tenham entendido esse novo conceito.

A idéia da Era do consumidor, onde ele passa a ser a peça mais importante na cadeia produtiva, ainda não é vivida em sua totalidade pelas empresas.

Há alguns anos, quando Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon.com, instituiu sua loja com a possibilidade dos consumidores postarem suas opiniões à respeito dos livros adquiridos, sem nenhum tipo de censura a esses comentários, uma das editoras se posicionou contrária à essa atitude:

- E se eles falarem mal dos produtos? Será nosso fim. A resposta de Bezos mostra o que considero uma excelente definição desse comportamento:

- Você está com medo porque vende produtos. Nós vendemos a satisfação total aos nossos clientes.

Já escrevi aqui, em diversas ocasiões, que a internet não tem vida própria, é apenas um reflexo do comportamento das pessoas. Como um carro veloz. O desejo de se atingir altas velocidades sempre existiu. O veículo apenas atendeu esse desejo, não o criou.

A troca de informações de consumo é apenas um reflexo do desejo das pessoas em confiarem em seus iguais, mais um sinal da falta de credibilidade de publicidade pura e simples, da empresa em função de seu objetivo primário.

Não adianta mais utilizar apenas slogans de dedicação total ao cliente.

Se você não se dedicar, alguém o fará.