Hoje o dia não será fácil. Talvez o dia seja, mas a noite com certeza não será. Terei de encarar um empolgado torcedor da Ponte Preta em minha aula de Pesquisa de Marketing.

Falando em pesquisa, seguem algumas

observações sobre as pesquisas de campo, principalmente quando se empregam entrevistas pessoais.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com mais de oito mil pessoas respondendo à questão: Qual é o seu maior medo? Apresentou os seguintes resultados:

1 – Insetos, cobras, baratas

2 – Altura

3 – Água

4 – Transporte Público

5 – Tempestades

6 – Espaços fechados

7 – Túnel, ponte (não é a preta, ninguém tem medo dela)

8 – Multidões

9 – Falar em Público

Até que ponto somos honestos ao assumir nossos verdadeiros sentimentos ou tendências comportamentais perante os outros?

Não me refiro apenas ao fato de responder essa pergunta pessoalmente, mas de expor esse medo ou qualquer outra coisa que possa te expor de alguma maneira perante os outros, seja num questionamento ou em um formulário.

A internet é anônima. Ao menos é essa a idéia que se tem, e por isso temas antes restritos às salas de terapia são expostos em sites de busca e se refletem no amontoado de blogs de auto-ajuda em toda a web.

O instituto Hitwise, especialista em comportamento online, fez um levantamento semelhante à pesquisa realizada. Foram levantados todos os termos de pesquisa, ou todas as pesquisa que tivessem por objetivo encontrar informação a respeito de medos. Comparem os resultados:

1 – Intimidade

2 – Rejeição

3 – Pessoas

4 – Sucesso

5 – Multidões

6 – Fracasso

7 – Sexo

8 – Compromisso

9 – Falar em Púbico

O segundo método apresenta, entre os nove resultados, oito chamadas Fobias Sociais, resultado bem diferente do método tradicional, onde apenas uma delas ocorre.

A pesquisa online expõe claramente a sensação de liberdade presente em perguntar a uma máquina que não fará juízo de valores sobre seus questionamentos ou interesses.

Outra maneira de entender a sinceridade com que as pessoas se comportam na internet está em uma palavra básica: sexo.

Em 2006 uma pesquisa revelou que 1% do conteúdo da web era relacionado ao tema, e surpreendentes 40% da navegação estava ligada a sexo.

Se o marketing analisa as motivações pessoais em função de atendê-las e tirar proveito disso, é preciso levar em conta essa variação de comportamento que gera bilhões de dólares todo ano à quem se dedica à isso, e não fecha os olhos para interesses que não aparecerão em uma pesquisa nos moldes tradicionais, mas ainda que velados, refletem na maneira como gastamos nosso dinheiro.