Artigo

Verdadeiras Necessidades

Ontem participei de um interessante debate que se iniciou sobre alguns “pudores” no marketing, como indução, manipulação de desejos, etc., e acabou nos desejos e necessidades dos consumidores. Pessoalmente gosto muito da teria de Maslow, e sua pirâmide hierarquizada de necessidades, onde presupõe-se...

Read More

Saudosista sim, bezerro não

Posted by Jean Carlo Oliveira | Posted in Meus Artigos | Posted on 29-08-2009

Tags:, , , , , , ,

0

“Certo dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem, para voltar a seu pasto. Sendo um animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas.

No dia seguinte, um cão que passava por ali usou essa mesma trilha torta para atravessar a floresta. Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.

Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam a direita, à esquerda, abaixando-se, desviando-se de obstáculos, reclamando e praguejando até com um pouco de razão, mas não faziam nada para mudar a trilha.

Depois de tanto uso, esta acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em, no máximo, uma hora, caso a trilha não tivesse sido aberta por um bezerro.

Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo e, posteriormente, a avenida principal de uma cidade.

Logo, a avenida transformou-se no centro de uma grande metrópole, e por ela passaram a transitar diariamente milhares de pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo bezerro centenas de anos antes, e a velha e sábia floresta ria daquelas pessoas que percorriam aquela trilha, como se fosse um caminho único, sem se atrever a mudá-lo.”

Uma coisa é certa: Seu eu pudesse me mudaria lá pras terras desse bezerro. Ou melhor, viveria nos tempos em que essa tal trilha foi aberta, há muitos anos, quando as coisas eram mais simples. Antes de qualquer coisa é bom frisar que eu odeio a internet. Assim como odeio várias outras coisas, frutos da tecnologia e modernidade, sentimento esse, originado de meu saudosismo inveterado.

O fato é que essas coisas estão aí, independente de minha vontade ou localização geográfica, seja trabalhando com marketing digital ou na terra do bezerro, vendo bois com brincos magnéticos sendo monitorados via satélite.

Assim como já não posso mais sentar naquela enxurrada que me empurrava rua abaixo em dias de chuva, sem o risco de doenças (imagine só), também já não existe mais um mundo redondo, onde os limites eram estabelecidos pelo alcance dos olhos.

A internet é uma realidade. Mas parece que não pra todos.

Todos os dias, recebo dezenas de notícias e informativos sobre a permeabilidade da internet em todos os aspectos da sociedade. Apesar disso é engraçado analisar o comportamento do mercado publicitário no país.

A Fórmula básica para valorização de uma mídia sempre esteve em sua audiência e poder de persuasão. O fato – e não opinião – é que a internet já superou até mesmo a TV em todos os aspectos relevantes à um anunciante, desde audiência, conversão e até mesmo parâmetros nunca sonhados há algum tempo, como a possibilidade de se mensurar o ROI com precisão.

Obviamente que existem muitos interesses por trás dessa manutenção do sistema tradicional de publicidade, mas a mudança de comportamento dos próprios anunciantes (muito tímida até o momento), revela uma certa tendência à seguirem o bezerro.

A planificação do mundo, através da tecnologia, já aconteceu, queira eu, você ou os impérios de mídia e é mais provável você me ver escorregando em alguma enxurrada em dia de chuva do que presenciarmos um retrocesso nessa realidade.

Mais, do mesmo.

Posted by Jean Carlo Oliveira | Posted in Meus Artigos | Posted on 28-08-2009

Tags:, , , , , , , ,

0

logomarca da empresa sears

figura de ecommerce

Desde a descoberta da escrita, 5000 anos A.C, a humanidade vem se utilizando da possibilidade de registrar hábitos, processos e costumes para evoluir, fazendo novas descobertas e avançando em suas práticas e relações sociais. Outro advento que parece marcar essa história, tendo em vista o salto evolutivo provocado, foi a implementação da internet como item fundamental na sociedade atual. A facilidade de comunicação e acesso à informações parece ter mudado radicalmente os hábitos de consumo, argumento amparado pelos números crescentes do comércio eletrônico.

No início do século, numa época de marketing ainda intuitivo, Richard Sears, um controlador de tráfego ferroviário de minneápolis, nos Estados Unidos, viria a revolucionar o mundo com um conceito que nos parece muito familiar nos dias de hoje: A possibilidade de ter acesso à informação em qualquer lugar, e, de posse dessa informação, adquirir produtos e serviços dos mais variados. É engraçado avaliarmos que a construção dos grandes centros de compra, com a facilidade e as vantagens da escolha presencial e entrega imediata da mercadoria, não invalidaram essa fórmula de sucesso.

Uma característica importante nesse modelo de negócio, hoje consolidado pelo conceito “ponto com”, é a eliminação da personificação da venda, onde um vendedor é o mediador, importante e indispensável em alguns casos. Porém, quando analisamos o ato de “comprar” como uma experiência sensorial, que, muito mais que a aquisição de um bem, proporciona satisfação e prazer, (muitas vezes maior, durante a escolha que propriamente após a aquisição), a ausência dessa figura mediadora é um dos fatores motivadores desse modelo de negociação.

Outra característica comum nos dois modelos é a grande variedade de produtos ofertados. Nos primórdios do comércio eletrônico, muita suspeita pairava sobre o sucesso desse modelo de negócio e, principalmente, sobre o quanto ele poderia ser explorado. A verdade é que a Sears, em seu modelo criado há mais de 100 anos, vendia, desde meias femininas, até carros e casas, através de seus catálogos impressos por litografia. Hoje vemos essa tendência refletida no crescente aumento do ticket médio praticado no comércio eletrônico.

O sucesso da Sears não se deve apenas à utilização da logística dos correios, como citado por muitos, isso chega a ser óbvio. O grande apelo foi atingir a população da zona rural, justamente a parcela da população que não tinha acesso às novidades, exclusivas aos moradores dos grandes centros. Como tendência, podemos prever o aumento na compra on-line, se levarmos em conta o potencial de consumo concentrado além das regiões sul e sudeste, onde a oferta de produtos ainda é escassa.

Quando estudamos o modelo de negócios da Sears, os problemas enfrentados não eram muito diferentes dos encontrados nos dias de hoje e as soluções para tais problemas não mudaram muito em seu conceito. Mais surpreendente é imaginar que os anseios e conseqüentes exigências dos consumidores permanecem os mesmos, variando em função do contexto social em que cada um se encontra.

Tão importante quanto inovar na maneira de atender desenvolver seu potencial é analisar e contextualizar as experiências do passado, os erros e acertos dos outros. É mais prudente – e mais barato.

Desde a descoberta da escrita, 5000 anos A.C, a humanidade vem se utilizando da possibilidade de registrar hábitos, processos e costumes para evoluir, fazendo novas descobertas e avançando em suas práticas e relações sociais. Outro advento que parece marcar essa história, tendo em vista o salto evolutivo provocado, foi a implementação da internet como item fundamental na sociedade atual. A facilidade de comunicação e acesso à informações parece ter mudado radicalmente os hábitos de consumo, argumento amparado pelos números crescentes do comércio eletrônico.

No início do século, numa época de marketing ainda intuitivo, um controlador de tráfego ferroviário de minneápolis, nos Estados Unidos, viria a revolucionar o mundo com um conceito que nos parece muito familiar nos dias de hoje: A possibilidade de ter acesso à informação em qualquer lugar, e, de posse dessa informação, adquirir produtos e serviços dos mais variados. É engraçado avaliarmos que a construção dos grandes centros de compra, com a facilidade e as vantagens da escolha presencial e entrega imediata da mercadoria, não invalidaram essa fórmula de sucesso.

Uma característica importante nesse modelo de negócio, hoje consolidado pelo conceito “ponto com”, é a eliminação da personificação da venda, onde um vendedor é o mediador, importante e indispensável em alguns casos. Porém, quando analisamos o ato de “comprar” como uma experiência sensorial, que, muito mais que a aquisição de um bem, proporciona satisfação e prazer, (muitas vezes maior, durante a escolha que propriamente após a aquisição), a ausência dessa figura mediadora é um dos fatores motivadores desse modelo de negociação.

Outra característica comum nos dois modelos é a grande variedade de produtos ofertados. Nos primórdios do comércio eletrônico, muita suspeita pairava sobre o sucesso desse modelo de negócio e, principalmente, sobre o quanto ele poderia ser explorado. A verdade é que a Sears, em seu modelo criado há mais de 100 anos, vendia, desde meias femininas, até carros e casas, através de seus catálogos impressos por litografia. Hoje vemos essa tendência refletida no crescente aumento do ticket médio praticado no comércio eletrônico.

O sucesso da Sears não se deve apenas à utilização da logística dos correios, como citado por muitos, isso chega a ser óbvio. O grande apelo foi atingir a população da zona rural, justamente a parcela da população que não tinha acesso às novidades, exclusivas aos moradores dos grandes centros. Como tendência, podemos prever o aumento na compra on-line, se levarmos em conta o potencial de consumo concentrado além das regiões sul e sudeste, onde a oferta de produtos ainda é escassa.

Quando estudamos o modelo de negócios da Sears, os problemas enfrentados não eram muito diferentes dos encontrados nos dias de hoje e as soluções para tais problemas não mudaram muito em seu conceito. Mais surpreendente é imaginar que os anseios e conseqüentes exigências dos consumidores permanecem os mesmos, variando em função do contexto social em que cada um se encontra.

Tão importante quanto inovar na maneira de atender desenvolver seu potencial é analisar e contextualizar as experiências do passado, os erros e acertos dos outros. É mais prudente – e mais barato.